Crise na Saúde de Campos: Reintegração do Cofinanciamento Estadual Reacende Polêmica
Tensões políticas e insatisfação popular persistem apesar do maior orçamento histórico para a saúde
Campos dos Goytacazes atravessa uma grave crise na saúde pública, marcada por tensões políticas e insatisfação popular, mesmo diante do maior orçamento histórico já destinado pelo município à área, superior a R$ 1 bilhão. Após meses de suspensão do cofinanciamento por parte do Governo do Estado do Rio de Janeiro, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) anunciou recentemente a reintegração do município ao modelo estadual de pagamento, o que deve garantir o repasse de R$ 66 milhões até o final de 2025. No entanto, a medida não resolveu de imediato o descontentamento amplo da população, nem acalmou a disputa política local.
O impacto da suspensão do cofinanciamento
Nos meses anteriores, a ausência de repasses afetou os serviços de saúde em Campos, desde a disponibilidade de materiais básicos e insumos até o funcionamento de hospitais centrais, como o Ferreira Machado, o Geral de Guarus e o São José. O prefeito atribuiu à suspensão do cofinanciamento estadual o “caos” enfrentado pelo setor, afirmando que a decisão teria cunho político, fruto de uma articulação para enfraquecer sua gestão.
O município chegou a restringir o atendimento para pacientes provenientes de localidades fora do Programa Pactuado Integrado (PPI), o que gerou um impacto negativo significativo na população regional. A situação levou o prefeito a buscar um diálogo aberto com o governo estadual para a retomada dos repasses, culminando na recente reintegração ao modelo de financiamento.
Orçamento recorde e persistência dos problemas
Apesar do orçamento histórico que ultrapassa R$ 1 bilhão, incluindo os R$ 66 milhões a serem recebidos do Estado até o final de 2025, os problemas na saúde seguem evidentes: reclamações sobre falta de insumos, atrasos nos repasses para hospitais e unidades com estrutura precária são corriqueiros entre pacientes e profissionais da área. A recuperação do atendimento deficiente em hospitais frustra as expectativas diante dos recursos disponíveis.
Reação da oposição: críticas à gestão e dúvidas sobre transparência
Nesta conjuntura, vereadores da oposição intensificaram as críticas à atual administração municipal, apontando falhas na gestão e questionando a correta aplicação dos recursos. Parlamentares como Maicon Cruz (PSD) expressaram dúvidas sobre a eficácia dos investimentos, indicando que os recursos nem sempre chegam às unidades de saúde ou são corretamente utilizados.
O discurso oposicionista enfatiza a necessidade de maior transparência e responsabilização, acusando o governo de falta de planejamento e gestão deficitária, o que agravaria ainda mais a situação do setor público de saúde. Em sessões na Câmara Municipal, os opositores pedem investigação rigorosa e mostram desconfiança sobre os dados oficiais apresentados pela Prefeitura sobre os repasses e investimentos.
Defesa do Executivo e perspectivas para o futuro
Em contrapartida, a gestão do prefeito Wladimir Garotinho destaca que os principais empecilhos tiveram origem no corte do cofinanciamento estadual, considerado decisivo para a crise orçamentária enfrentada. O prefeito também acusa a oposição de tentar criar um ambiente político turbulento, que prejudica a superação dos problemas de saúde.
Com o retorno do cofinanciamento estadual e o orçamento municipal robusto, o governo local se compromete a intensificar os esforços para melhorar gradativamente as condições dos serviços. Projetos em andamento, como o “Morar com Saúde”, visam aproximar serviços de qualidade das comunidades e ampliar a prevenção.
O desafio da saúde pública em Campos
A crise na saúde de Campos dos Goytacazes expõe um cenário complexo em que desafios financeiros, disputas políticas e a urgência dos cuidados médicos se misturam. A reintegração do município ao modelo de cofinanciamento estadual oferece uma chance concreta para a recuperação do setor, mas não elimina as dúvidas e a pressão por resultados efetivos.
A população, que enfrenta diariamente deficiências, espera ações rápidas e transparentes. Já a oposição permanece vigilante, atuando como fiscal da gestão e exigindo respostas claras. Entre políticas e expectativas sociais, a saúde em Campos precisa de um esforço conjunto para virar a página da crise e garantir acesso digno e eficiente a quem depende do sistema público.