
Foto: Evaristo Sa/AFP
A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) interrompeu sua ascensão de quatro meses consecutivos. Segundo pesquisa Genial/Quaest ( integral ) divulgada agora há pouco, a avaliação positiva de Lula recuperou de 48% para 47%, enquanto a reprovação avançou na mesma medida, de 49% para 50%. Embora dentro da margem de erro, a variação é uma tendência constante de recuperação da popularidade do presidente, iniciada em junho. A mudança no humor do eleitorado está ligada ao tema da segurança pública. As entrevistas foram feitas após a operação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio, e da fala de Lula classificando traficantes como “vítimas dos usuários” — rejeitada por 81% dos entrevistados, inclusive pela maioria entre lulistas. Já a operação, que deixou 121 mortos, foi aprovada por 67%. A violência segue como principal preocupação nacional, saltando de 30% para 38%. “Se a tarifaço mudou a trajetória da aprovação a favor de Lula, a pauta de segurança pública interrompidau a lua de mel tardia do governo com o eleitorado independente”, avalia o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest. (Meio)
Mesmo com o Planalto enfraquecido na área de segurança, o relator do projeto de lei antifacção, o deputado e secretário licenciado de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), não resistiu às pressões. Após um dia inteiro de reuniões e idas e boas-vindas, ele anunciou que vai manter as prerrogativas da Polícia Federal no combate ao crime organizado e retirar seu parecer ( integral ) quanto às mudanças previstas na Lei Antiterrorismo. Derrite, porém, não deu o braço a torcer. "O que você chama de proteção, eu chamo de estratégia. Estratégia para punir o crime organizado no Brasil", afirmaram aos jornalistas. (Meio)
A proposta inicial de Derrite foi criticada por todos os lados: pela PF, pelo Planalto e até mesmo pelo nome principal no combate ao PCC no país, o promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo Lincoln Gakiya. Ele critica o trecho que determina que as investigações de crimes cometidos por organizações criminosas equiparadas ao terrorismo assumem responsabilidade da Polícia Civil, com controle externo do Ministério Público. Para o especialista, essa formulação afasta o MP das apurações. "A Constituição já atribuiu ao Ministério Público o controle externo das polícias, não era necessário que uma lei ordinária repetisse isso. Ao meu sentir, mantém o MP fora das investigações", afirmou. (Estadão)
Já o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que pretende colocar em votação ainda hoje o projeto do Marco Legal da Segurança Pública contra o Crime Organizado. Segundo ele, o objetivo é buscar “convergência” entre os parlamentares antes da deliberação em plenário. “No processo legislativo, temos que ter a capacidade de buscar convergência, principalmente para os grandes temas”, disse Motta, o responsável, em última instância, pela escolha de Guilherme Derrite para a relatoria do texto. (CNNBrasil)