Lula estuda faltar a todos os debates do 1º turno e racha o PT
Prestes a lançar a candidatura à reeleição, presidente avalia repetir estratégia de 2006 e 2018 para evitar exposição como único nome da esquerda no palco.
A estratégia do silêncio
Prestes a lançar sua candidatura à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda faltar a todos os debates da TV no primeiro turno. A informação, publicada inicialmente pelo O Globo, já provoca divisão interna no PT.
O cálculo do Planalto é eleitoral: segundo o Datafolha, Lula tem 40% das intenções de voto contra 28% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, e 45% a 37% no segundo. Liderando, teria pouco a ganhar e muito a perder em um palco hostil.
⚠️ Por que faltar? Somado à regra eleitoral, os nomes mais cotados para os debates são todos de direita: Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos. Lula seria o único nome de esquerda e alvo concentrado.
O que diz a lei
Por lei, a obrigatoriedade de convite aos debates recai apenas sobre candidatos de partidos com mais de 5 representantes no Congresso. O critério é definido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Atualmente, esse grupo inclui PT, PL, PSD e Avante.
A regra tem sido usada como brecha estratégica. Ao não comparecer, o candidato não sofre sanção eleitoral direta, mas deixa a cadeira vazia — imagem que pode ser explorada pela oposição.
Não é a primeira vez
Presidentes que buscaram a reeleição já evitaram o confronto direto no primeiro turno. O próprio Lula fez isso em 2006, no final do primeiro mandato, quando enfrentava o escândalo do mensalão.
Fernando Henrique Cardoso também faltou em 1998 — e venceu já no primeiro turno. Em 2018, Jair Bolsonaro participou apenas dos dois primeiros debates antes do atentado.
📊 Histórico de debates vazios:
- 1998: FHC falta e vence no 1º turno
- 2006: Lula falta no 1º turno e vai para o 2º
- 2018: Bolsonaro falta após facada e vence
- 2022: Lula e Bolsonaro só se enfrentam no 2º turno
O dilema de 16 de agosto
O primeiro debate, organizado pela Band, está marcado para o dia 16 de agosto — exatamente a data em que Lula planeja lançar oficialmente sua campanha. Alguns aliados defendem adiar o ato para viabilizar a presença no debate.
A avaliação interna é que fugir pode preservar a vantagem nas pesquisas para 2026, mas reforça a narrativa bolsonarista de que o presidente evita o confronto. Se ficar em casa, fala só para convertidos. Se for, entra em arena com 4 adversários da direita.